Investigações apontam uso de decisões judiciais para desviar até R$ 78 milhões na compra de medicamentos contra o câncer
Investigações apontam uso de decisões judiciais para desviar até R$ 78 milhões na compra de medicamentos contra o câncer
Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul escancarou um esquema suspeito de desvio milionário de recursos públicos envolvendo a compra de medicamentos de alto custo para tratamento de câncer. A ação, batizada de OncoJuris, resultou na prisão de cinco pessoas, entre elas dois advogados, nesta quinta-feira (23), em Campo Grande.
De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado cerca de R$ 78 milhões nos últimos 12 meses, utilizando decisões judiciais para obrigar o poder público a adquirir medicamentos — muitas vezes com indícios de irregularidades.
Segundo informações apuradas, os advogados Altair Malhada e Victor Guilherme Lezo estariam entre os presos na operação.
A investigação aponta que o grupo atuava de forma estruturada, dividida em quatro frentes:
A suspeita central é de que havia fraude processual, direcionamento de fornecedores e possível superfaturamento, criando um ciclo que viabilizava a liberação de recursos públicos.
Um dos pontos mais graves da investigação envolve a qualidade dos medicamentos. Há indícios de que parte dos produtos teria sido importada sem autorização da Anvisa, sem garantia de procedência ou armazenamento adequado.
Isso levanta uma preocupação ainda maior: pacientes podem ter recebido medicamentos fora dos padrões exigidos — ou até diferentes dos prescritos.
A Receita Federal também identificou possíveis fraudes fiscais relacionadas ao esquema, que pode ter causado um prejuízo de dezenas de milhões aos cofres públicos.
O Governo de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o caso desde 2025, quando surgiram os primeiros indícios.
O caso chama atenção por envolver justamente o uso do sistema judicial — instrumento legítimo de acesso à saúde — como possível meio para práticas ilícitas.
A judicialização da saúde, que muitas vezes garante tratamentos essenciais a pacientes, aparece agora sob suspeita de ter sido deturpada para fins financeiros, o que pode acender um alerta nacional sobre controle, fiscalização e transparência nesses processos.
As investigações seguem em andamento, e os envolvidos ainda terão direito à ampla defesa. Até o momento, não houve manifestação oficial das defesas dos advogados citados
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