Paulo Duarte inicia a disputa com a estrutura mais consolidada, enquanto Marcelo e Glaucia Iunes tentam preservar antigas bases e Chicão Vianna busca transformar oposição em força eleitoral
Paulo Duarte inicia a disputa com a estrutura mais consolidada, enquanto Marcelo e Glaucia Iunes tentam preservar antigas bases e Chicão Vianna busca transformar oposição em força eleitoral
Corumbá chega às eleições de 2026 com quatro nomes aprovados em convenções partidárias para a disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Paulo Duarte, Marcelo Iunes, Glaucia Iunes e Chicão Vianna possuem trajetórias, alianças e bases eleitorais distintas, mas enfrentarão um problema comum: a divisão dos votos do município.
Embora as quatro candidaturas tenham elementos que justificam suas presenças na disputa, a largada ocorre em condições bastante diferentes. Entre experiência política, mandato, alianças estaduais, desempenho em eleições anteriores e capacidade de expansão para outras regiões, Paulo Duarte aparece atualmente como o projeto mais estruturado e com o caminho mais consistente para alcançar uma cadeira.
Deputado estadual em exercício, Paulo reúne uma combinação que nenhum dos outros três possui neste momento. Já foi parlamentar, prefeito de Corumbá e ocupou funções estratégicas no Governo do Estado, acumulando relações políticas que ultrapassam os limites do município. O mandato na Assembleia também lhe proporciona presença institucional, circulação regional e condições para apresentar entregas concretas aos eleitores.
Em 2022, Paulo recebeu 16.663 votos e assumiu uma cadeira na Assembleia em março de 2024, após a retotalização determinada pela Justiça Eleitoral. Apesar de exercer o atual mandato há menos tempo que outros parlamentares, chega à campanha com estrutura de gabinete e atuação em diferentes municípios, um diferencial importante numa eleição que não será decidida apenas pelos votos de Corumbá.
Outro elemento favorável é sua proximidade com o prefeito Gabriel Alves de Oliveira. Paulo teve participação destacada na construção da aliança que venceu a eleição municipal de 2024 e permanece politicamente alinhado à atual administração. Além disso, integra o PSDB, partido inserido no projeto de reeleição do governador Eduardo Riedel.
Esse conjunto não assegura uma vitória automática, especialmente diante da concorrência interna na chapa e da pulverização do eleitorado corumbaense. Ainda assim, coloca Paulo numa posição mais confortável. Enquanto os adversários precisam reconstruir grupos, provar autonomia eleitoral ou ampliar substancialmente suas bases, o deputado parte de uma estrutura já em funcionamento.
Marcelo Iunes, por sua vez, não pode ser tratado como um candidato sem força. Depois de três mandatos como vereador, uma passagem pela vice-prefeitura e aproximadamente sete anos no comando do Executivo municipal, o ex-prefeito possui elevado grau de conhecimento perante a população e conserva relações construídas durante sua longa permanência no poder.
Sua filiação ao PP também o aproxima de lideranças estaduais importantes, entre elas a senadora Tereza Cristina e integrantes do núcleo político que sustenta o governo Riedel. O desafio será transformar reconhecimento e memória administrativa em votos suficientes para enfrentar uma das chapas mais competitivas da eleição estadual.
A estrutura que acompanhava Marcelo durante seus mandatos, porém, não permanece intacta. A mudança de governo provocou uma reorganização das forças locais, e aliados importantes do ex-prefeito aproximaram-se da administração de Gabriel Alves. Parte dessas lideranças deverá apoiar Paulo Duarte, enquanto outros espaços políticos da Prefeitura poderão ser destinados a candidatos de fora de Corumbá em razão de compromissos partidários e estaduais.
Marcelo ainda terá de lidar com a avaliação de sua passagem pela Prefeitura. Os anos de gestão deixaram realizações que poderão ser exploradas durante a campanha, mas também produziram desgaste. A eleição de 2024, vencida pelo grupo que se apresentou como alternativa ao governo anterior, demonstrou que uma parcela significativa da população desejava mudança.
Apesar disso, Marcelo mantém potencial para alcançar votação expressiva. Seu maior obstáculo talvez esteja na necessidade de disputar simultaneamente os votos de seu antigo grupo em Corumbá e uma boa colocação dentro de uma federação repleta de nomes estaduais com mandato, estrutura e bases regionais consolidadas.
Glaucia Iunes também chega acompanhada por um resultado eleitoral relevante. Em 2022, obteve 16.918 votos no Estado, sendo 11.721 em Corumbá, onde foi a candidata a deputada estadual mais votada. O desempenho comprova que seu nome já foi capaz de mobilizar parcela considerável do eleitorado local.
A eleição deste ano, entretanto, deverá revelar quanto daquela votação pertence efetivamente a uma base própria. Glaucia é cunhada de Marcelo Iunes e recebeu, em 2022, apoio político integral do então prefeito. Naquela ocasião, o grupo comandado por Marcelo estava unido em torno de sua candidatura, reunindo vereadores, lideranças comunitárias, antigos auxiliares e apoiadores da administração.
Sob o aspecto estritamente político é necessário considerar que Glaucia disputou aquela eleição respaldada pela ampla rede de apoio organizada em torno da Prefeitura.
Agora, o contexto é outro. Marcelo não ocupa mais o Executivo e será concorrente direto da cunhada. Os dois disputarão antigos aliados, lideranças e eleitores que, quatro anos atrás, estavam reunidos no mesmo projeto. Por isso, o acervo eleitoral atribuído a Glaucia pode revelar-se menos sólido do que os números isoladamente sugerem.
A candidatura pelo Avante pode oferecer uma equação partidária mais favorável do que chapas maiores e mais congestionadas. Ainda assim, Glaucia precisará demonstrar autonomia, conservar parte significativa dos votos de 2022 e ampliar sua presença fora de Corumbá. Uma repetição daquele desempenho, nas condições atuais, consolidaria definitivamente seu nome como uma liderança com força própria.
Chicão Vianna representa um projeto diferente. Reeleito vereador em 2024 com 1.405 votos, foi o segundo mais votado para a Câmara e apresentou crescimento em relação à eleição anterior. Também integrou a administração de Gabriel Alves como secretário municipal de Desenvolvimento Econômico antes de retornar ao Legislativo.
Nos últimos meses, entretanto, Chicão passou a adotar posicionamento crítico em relação ao governo municipal, cobrando respostas sobre temas administrativos e demandas dos servidores. A estratégia pode ampliar sua visibilidade e aproximá-lo de setores insatisfeitos, mas também reduz suas possibilidades de contar com o grupo político que atualmente controla a Prefeitura.
Ao se colocar contra uma gestão da qual fez parte, o vereador tende a perder o apoio de aliados que permanecem alinhados ao prefeito. Também poderá encontrar resistência entre empresários, lideranças comunitárias e agentes políticos que, mesmo não integrando formalmente a administração, evitam assumir posições de confronto com o Executivo.
Sua candidatura dependerá, portanto, da construção de uma estrutura própria. Chicão precisará demonstrar que sua postura crítica produz mais do que exposição e consegue ser convertida em apoio eleitoral. O salto necessário é considerável: sua base de 1.405 votos, embora respeitável numa eleição municipal, ainda está distante do patamar normalmente exigido para uma disputa estadual competitiva.
O Republicanos poderá ajudá-lo por meio de alianças e dobradinhas, mas também apresenta concorrência interna. Chicão terá de crescer em Ladário e em outros municípios, aproximar-se de setores produtivos e ocupar de forma clara o espaço da oposição local. Entre os quatro concorrentes, é quem enfrenta a maior necessidade de expansão quantitativa.
A presença dos quatro nomes também cria um risco coletivo para Corumbá. A cidade poderá dividir seus votos entre projetos que pertencem, direta ou indiretamente, à mesma ampla base estadual. Além deles, candidatos de outras regiões receberão apoio de segmentos religiosos, empresariais, políticos e profissionais dentro do município.
Nesse cenário, não bastará ser o mais votado entre os corumbaenses. Cada candidato precisará alcançar votação relevante em outras cidades e, principalmente, ficar bem colocado dentro da própria legenda ou federação. A eleição proporcional depende tanto do desempenho individual quanto da soma de votos da chapa.
Marcelo possui reconhecimento e uma extensa trajetória administrativa. Glaucia carrega o melhor resultado local da eleição passada, mas terá sua autonomia colocada à prova. Chicão dispõe de mandato recente e pode explorar o discurso de independência, embora esse posicionamento restrinja alianças importantes.
Paulo Duarte, por sua vez, reúne mandato estadual, experiência, articulação regional, proximidade com o atual prefeito e alinhamento com o projeto político do Governo do Estado. É essa soma de fatores - e não apenas seu desempenho anterior - que torna sua candidatura a mais estruturada entre as quatro.
A eleição permanece aberta, e nenhuma candidatura pode ser antecipadamente descartada ou considerada vitoriosa. Contudo, no retrato político atual, Paulo inicia a corrida alguns passos à frente. Aos demais caberá reorganizar antigas bases, superar divisões internas e demonstrar capacidade para construir uma votação que vá além das fronteiras de Corumbá.
Eleições 2026: quatro candidaturas, diferentes caminhos e um favorito em Corumbá
03/08/2026Após série de roubos, moradores de Ladário criam rede de segurança comunitária
29/05/2025
Nenhum Comentário