Após uma apuração arrastada e cheia de tensão, o candidato de esquerda voltou atrás de sua postura inicial e reconheceu a vitória da herdeira do fujimorismo no segundo turno
Após uma apuração arrastada e cheia de tensão, o candidato de esquerda voltou atrás de sua postura inicial e reconheceu a vitória da herdeira do fujimorismo no segundo turno
A longa e tensa novela eleitoral no Peru finalmente chegou ao fim. O deputado de esquerda Roberto Sánchez reconheceu oficialmente a vitória de sua adversária de direita, Keiko Fujimori, no segundo turno das eleições presidenciais. O anúncio veio logo após o Júri Nacional de Eleições (JNE) proclamar o resultado oficial, que deu a Fujimori uma vantagem apertadíssima: 50,135% dos votos contra os 49,865% de Sánchez.
A declaração de Sánchez marca uma mudança importante de postura. Inicialmente, quando a vantagem de Keiko já havia sido considerada irreversível no final de junho, ele havia afirmado categoricamente que não aceitaria o resultado das urnas. Agora, com a chancela das autoridades eleitorais, o candidato e o seu partido decidiram recuar e respeitar a decisão oficial.
Com 51 anos de idade, Keiko Fujimori carrega um sobrenome de peso e muita controvérsia na história peruana. Ela é filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori e construiu sua campanha baseada em promessas de \ordem\ e linha dura contra o crime, resgatando a memória do governo de seu pai. Esta foi a quarta vez que Keiko disputou o segundo turno presidencial, mas a sua primeira vitória real após derrotas consecutivas em 2011, 2016 e 2021.
Pelas redes sociais, a presidente eleita comemorou o resultado com um tom moderado e focado na união:
\Este é o início de uma nova fase. Assumimos com responsabilidade, humildade e um profundo senso de dever. Cada dia desta transição é uma oportunidade para ouvir, dialogar e chegar preparados para iniciar o novo governo\.
A postura de diálogo será essencial para os próximos anos. Fujimori, que tomará posse no dia 28 de julho, herdará um país marcado por uma forte instabilidade política. Para se ter uma ideia, o Peru passou por uma série de destituições presidenciais por corrupção e abuso de poder nos últimos anos, o que levou o presidente interino Jose Balcazar a governar o país desde fevereiro. Além disso, Keiko terá que lidar com um Congresso fragmentado, o aumento da criminalidade e a desconfiança de quase metade da população, que não acredita que ela conseguirá terminar o mandato de cinco anos.
Para tentar reverter esse cenário de crise, as principais apostas de Keiko Fujimori estão no uso da tecnologia e na desburocratização. Na área de segurança pública, seu plano prevê a interligação de centros de vigilância por todo o país, mapeando crimes em tempo real com a ajuda de inteligência artificial preditiva. No combate à corrupção, ela propõe dar mais dentes à Controladoria-Geral da República e endurecer a fiscalização do orçamento público, enquanto promete cortar os custos desnecessários e os trâmites burocráticos para as pequenas e médias empresas deslancharem a economia.
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