Status universitário é usado para tentar despistar a polícia; além de drogas, o mercado ilegal de canetas emagrecedoras trazidas do Paraguai virou o novo foco de prisões em Mato Grosso do Sul.
Status universitário é usado para tentar despistar a polícia; além de drogas, o mercado ilegal de canetas emagrecedoras trazidas do Paraguai virou o novo foco de prisões em Mato Grosso do Sul.
O sonho de cursar Medicina na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai tem dividido espaço com o crime nas páginas policiais. O título de acadêmico, que antes inspirava prestígio, passou a ser utilizado por alguns estudantes como um disfarce para tentar enganar a fiscalização nas rodovias. Além de atuarem como \mulas\ no tráfico de drogas, o novo foco desses universitários tem sido o contrabando de canetas emagrecedoras.
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), apenas neste ano, 16 estudantes de Medicina foram presos em flagrante. Desse total, 12 foram detidos pelo contrabando de remédios e quatro por tráfico de entorpecentes.
\Não podemos generalizar, mas a quantidade de pessoas cursando Medicina que foram presas com medicamentos e entorpecentes é surpreendente\, alertou o inspetor Waldir Brasil Junior, chefe da Delegacia Especializada de Fronteira da PRF.
As justificativas dadas pelos jovens à polícia revelam problemas financeiros por trás das escolhas criminosas. No fim de junho, um estudante de 24 anos foi preso em Ponta Porã carregando 570 quilos de maconha em um carro. Ele tentou fugir e os policiais precisaram atirar nos pneus do veículo para pará-lo. O jovem confessou que aceitou o transporte porque estava devendo para um agiota.
Em outro caso, uma universitária que estuda em Pedro Juan Caballero foi flagrada em Maracaju transportando 134 caixas do emagrecedor Tirzepatida escondidas em uma van de passageiros. Ela contou que ganharia R$ 100 por caixa e que usaria o dinheiro para pagar a rematrícula e duas mensalidades atrasadas da faculdade. A jovem ganhou liberdade provisória após pagar uma fiança de dois salários mínimos (R$ 3.242).
A busca pelo corpo ideal movimentou o mercado clandestino e transformou Campo Grande em um polo de revenda desses produtos trazidos ilegalmente do Paraguai. Somente a Polícia Federal apreendeu 12.048 canetas emagrecedoras no primeiro semestre deste ano no estado através da Operação Emagrecimento Seguro.
Nas rodovias cuidadas pela PRF, o ranking das apreensões de emagrecedores mostra quais são os caminhos mais usados pelo crime organizado:
O cerco na região de fronteira segue intensificado para evitar que medicamentos sem controle sanitário entrem no país e cheguem aos consumidores.
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